Como este acompanhamento funciona

Metodologia

De onde vêm os dados?

A fonte dos dados é o Spotify Charts, especificamente a lista Weekly Top Songs Brazil, que reúne as 200 faixas mais reproduzidas no país a cada semana. O ranking é atualizado pelo Spotify às sextas-feiras.

Semanalmente, o arquivo oficial é exportado e incorporado a este painel. Nenhuma semana é substituída ou apagada: os dados são acumulados ao longo do ano, formando uma base histórica que permite acompanhar tendências, evoluções e mudanças na presença feminina na música brasileira.

Como categorizamos gênero?

A categorização é baseada na identidade de gênero autodeclarada pelos artistas. Não realizamos inferências ou suposições. O processo utiliza como referência a base da plataforma Mulheres nos Festivais, que reúne mais de três mil artistas previamente catalogados e revisados. Além dela, a pesquisa recorre a redes sociais, sites oficiais, imprensa e aos perfis verificados no próprio Spotify, inclusive pelos pronomes utilizados.

As classificações utilizadas são: Mulher, Homem, Pessoa não binária, Dupla ou grupo feminino, Dupla ou grupo masculino, Dupla ou grupo misto e Indefinido.

Optamos por não utilizar uma categoria genérica de "grupo", pois ela poderia ocultar a participação feminina em formações coletivas. Dessa forma, grupos e duplas são classificados conforme sua composição.

Indefinido reúne os casos que não permitem classificação segura: artistas ainda não identificados na base, selos musicais, projetos coletivos (como o Rap Box), entidades não artísticas, perfis cuja identidade de gênero não é possível confirmar pelas redes ou pelo Spotify, e formações grandes demais para identificar os membros (orquestras, maracatus, blocos). Esses casos permanecem em Indefinido até revisão manual.

As duas leituras: principal e participação

A música brasileira, especialmente gêneros como sertanejo e funk, costuma apresentar múltiplos artistas creditados em uma mesma faixa. Para capturar diferentes dimensões da presença feminina, utilizamos duas métricas complementares.

Principal (FSI Primário)

Considera apenas as faixas em que a artista principal, ou o primeiro nome creditado, é uma mulher ou um grupo feminino. Esta métrica mede o protagonismo feminino.

Participação (FSI Ampliado)

Considera toda faixa que possua ao menos uma mulher entre os artistas creditados, incluindo participações especiais (feat.) e grupos mistos. Esta métrica mede a presença feminina no ranking.

A diferença entre os dois indicadores revela uma dimensão importante do mercado: mulheres podem estar presentes nas músicas mais ouvidas sem necessariamente ocupar a posição principal artística.

Como calculamos o acumulado anual?

O principal indicador anual utiliza o método pooled, no qual todas as entradas femininas registradas ao longo do período são somadas e divididas pelo total de entradas observadas em todas as semanas analisadas.

Esse resultado difere da simples média das porcentagens semanais, cálculo que também disponibilizamos para fins comparativos. Por isso, cada indicador é identificado de forma explícita na plataforma.

Como ordenamos os rankings?

Os rankings de artistas e músicas são organizados por uma pontuação acumulada que considera simultaneamente frequência e desempenho. A cada semana, uma faixa recebe entre 200 e 1 pontos de acordo com sua posição no Top 200 (calculado como 201 menos a posição ocupada). Essa pontuação é somada ao longo do tempo para compor o ranking consolidado.

Esse método valoriza tanto a permanência quanto o destaque: uma música presente durante muitas semanas em posições intermediárias pode acumular mais relevância do que uma faixa que alcança o topo apenas uma vez. A pontuação não é exibida publicamente nas tabelas, sendo utilizada exclusivamente como critério de ordenação.

Limites e ressalvas

Como toda pesquisa baseada em bases de terceiros, este painel possui limitações metodológicas. Os nomes dos artistas nos arquivos do Spotify são fornecidos em formato textual e nem sempre seguem um padrão consistente. Em alguns casos, especialmente no funk, uma mesma faixa pode apresentar muitos créditos, incluindo produtores, coletivos ou outros participantes. Por esse motivo, preservamos sempre os dados originais e mantemos mecanismos de revisão contínua.

Além disso: créditos artísticos podem ser alterados pelo Spotify ao longo do tempo; informações como pico de posição e número de semanas fornecidas pelo Spotify são históricas (all-time) e não específicas do ano corrente. Para as métricas anuais deste painel, esses indicadores são recalculados com base apenas nas semanas efetivamente acumuladas na base.

Apesar dessas limitações, o método é consistente para medir tendências gerais e acompanhar a evolução da participação feminina no principal ranking musical do país.

Quem faz?

Mulheres nos Charts é um projeto independente, idealizado, desenvolvido e atualizado pela pesquisadora musical Thabata Lima Arruda. Utiliza exclusivamente dados públicos do Spotify Charts e não possui qualquer vínculo, afiliação ou patrocínio do Spotify, ou qualquer outra instituição ou empresa.